[Entrevista] Timo Kotipelto (Stratovarius) fala sobre Blackoustic, projeto com Jani Liimatainen (ex-Sonata Arctica), que fará shows no Brasil

A dupla Jani Allan Kristian Liimatainen e Timo Antero Kotipelto ganhou, cada um em seu canto, notoriedade com as bandas Sonata Arctica e Stratovarius, respectivamente. O guitarrista Jani Liimatainen saiu do grupo em 2007, e hoje encabeça o Cain’s Offering. O vocalista Timo Kotipelto entrou no Stratovarius em meados dos anos 90, onde permanece até então. Ele também é o frontman do Cain’s Offering.

Jani e Timo se juntaram agora para um projeto que se distancia das grandes plateias e das guitarras velozes e ultramelodiosas. Com o Blackoustic, a dupla faz releituras de canções de suas carreiras em formato acústico, com violão e voz. A turnê se tornou um grande sucesso, devido a procura maciça por ingressos na América Central e do Sul. A turnê toda é da Dynamo Prod. Os shows no Brasil acontecem entre dias 18 e 21 de Abril, respectivamente no Rio de Janeiro, São Paulo, Limeira e Porto Alegre. Confira as informações do show de Porto Alegre clicando aqui.

Confira nossa entrevista com Kotipelto, que fala sobre o Blackoustic, os shows no Brasil, e também sobre o Stratovarius.

entrevista conduzida por Kenia Cordeiro
pauta por Arianne Cordeiro e Clovis Roman
tradução por Clovis Roman

Quais as principais diferenças que você nota entre shows convencionais de Metal, com uma banda completa, e uma apresentação acústica?
Timo Kotipelto: E um show acústico, a plateia está bem mais próxima a banda, e claro que quando há apenas duas vozes e um violão, isto faz uma grande diferença. De certa forma, é um espetáculo mais delicado, já que poucos instrumentos são usados. Mas também não é tão distante de um show com banda, especialmente quando as pessoas estão cantando as músicas junto com a gente. Certamente é algo especial e imperdível.

A atual turnê latino-americana é bastante extensa, mas tem poucos shows no Brasil (4). Vocês pensam em voltar para uma segunda parte desta turnê, incluindo mais cidades do nosso país no roteiro?
Kotipelto: Acho que nosso promotor está surpreso com quanto interesse houve, em diferentes países, com nosso show. Inicialmente eu estava esperando fechar três semanas de turnê, mas de repente se tornou seis semanas! Nós adoraríamos fazer mais shows pelo país, mas não poderemos fazer mais desta vez porque temos shows agendados na Finlândia logo após os do Brasil. Na próxima [teremos] mais datas no Brasil.

O repertório no Brasil terá mudanças em relação ao que vem sendo apresentado na Europa?
Kotipelto: Estamos planejando mudar algumas músicas do setlist, para tocar mais sons especiais, mais Stratovarius e algumas do Cain’s Offering. Acho que as pessoas conhecem estas. Algumas vezes, na Finlândia, temos tocado mais covers, mas no Brasil queremos apresentar o que achamos que as pessoas adorariam ouvir da gente.

Já faz um tempo que vocês lançaram o álbum Blackoustic. Vocês vem conversando sobre gravar um novo disco, com faixas inéditas?
Kotipelto: Houve algumas conversas sobre isto. Vamos ver quando for o momento certo. Seria legal ter uma ou duas músicas novas, compostas especialmente para o álbum, também. Não este ano, mas quem sabe ano que vem.

Quais são as suas músicas favoritas para tocar ao vivo?
Kotipelto: São tantas! Algumas covers são legais, mas nós realmente gostamos mesmo de tocar algumas coisas do Stratovarius, que nas versões acústicas são um pouco mais ‘artísticas’.

Há alguma música que você sempre quis tocar ao vivo mas nunca teve a chance de fazê-lo?
Kotipelto: Nós tentamos muitas músicas, mas nem todas é possível tocar com apenas um violão. Eventualmente, por outro lado, nós achamos músicas que surpreendentemente funcionam muito bem em uma versão acústica.

Timo, há planos para um novo álbum do Stratovarius este ano? 
Kotipelto: Estamos compondo neste momento. Claro que vai atrasar um pouco, pois estou estou nessa grande turnê. Mas nós devemos começar a gravar o novo material nos próximos meses. Espero que seja lançado no começo do ano que vem.

Existem chances de vocês lançarem um disco ao vivo e/ou DVD do Blackoustic?
Kotipelto: Eu adoraria gravar um DVD ao vivo, mas se rolar, será algo que vai depender da gravadora. De qualquer maneira, vamos gravar algumas coisas e ver depois.

E em relação ao sucessor do Stormcrow, do Cain’s Offering’s?
Kotipelto: O Jani provavelmente já deve ter algumas ideias para o próximo álbum. Ele está muito ocupado, com um monte de projetos. Nós poderíamos começar a gravar alguma coisa apenas no próximo ano.

Muito obrigado pela entrevista. Para finalizarmos, deixe uma mensagem aos fãs brasileiros.
Kotipelto: Kenia, muito obrigado. Eu sempre amei os shows no Brasil com o Stratovarius, e também com minha própria banda, o Kotipelto. Agora estou ansioso para estes shows acústicos. Venham nos ver e vamos ter uma noite especial juntos!

Deixe queimar, a voz da tormenta está chegando! — Entrevista Glenn Hughes (Deep Purple)

Uma parte considerável do que é feito hoje no mundo do rock tem influência, direta ou indireta, de três bandas inglesas: Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Há, inclusive, quem classifique esses grupos como a sagrada tríade do estilo — ou coisa que o valha. E isso não é papo de tiozão do Led, mas uma constatação bem plausível considerando o que dizem artistas na ativa hoje em dia, com ou sem muita visibilidade, sobre suas influências. Caso você concorde com essa crença, há de convir também que só mesmo um abençoado poderia ter integrado mais de uma dessas entidades. E esse bem-afortunado está entre nós, ainda levando a graça de seu talento aos devotos da boa música. Falamos de Glenn Hughes, baixista e vocalista que faz show em Porto Alegre dia 28 de abril, sábado, no Opinião (José do Patrocínio, 836), tocando só músicas do Deep Purple.

Glenn esteve com o conjunto entre 1973 e 1976, participando das fases MK III e MK IV — que incluem os discos Burn (1974), Stormbringer (1974) e Come Taste the Band (1975). Já com o Sabbath gravou apenas um disco, o controverso Seventh Star (1985), que por pouco não foi um álbum solo do guitarrista Tony Iommi. Além de ser agraciado com passagens por essas duas lendas, o veterano de 66 anos ainda foi membro do Trapeze e construiu uma carreira solo. Mais recentemente, esteve tocando com o Black Country Communion (com Jason Bonham, filho do baterista do Led Zeppelin, John Bonham) e California Breed.

Na entrevista a seguir, Glenn explica porque resolveu ressuscitar o repertório do DP recentemente, relembra o fantasma das drogas e avalia sua bendita trajetória.

Por que você resolveu fazer uma turnê tocando apenas músicas do Deep Purple agora? Houve algum acontecimento que desencadeou essa vontade?Glenn Hughes — Senti que esse era o momento certo. O Deep Purple não toca músicas das fases MK3/MK4 (que compreendem o período entre 1973 e 1976, quando Glenn esteve na banda tocando baixo e cantando). Era tempo de revisitar essa fase com o devido respeito que ela merece. A ideia veio após uma turnê na Austrália, quando meu empresário e eu decidimos fazer disso uma prioridade exclusiva pelos próximos anos.

Quais são as memórias mais bacanas do tempo em que você tocou com o DP na metade dos anos 1970? Há lembranças amargas também?
Glenn Hughes —
Muitas recordações maravilhosas, como tocar no festival California Jam (1974) e conhecer Stevie Wonder. Estar no Purple foi uma experiência fantástica. Claro que as drogas arruinaram boa parte delas, e as lembranças se tornaram amargas, como vocês bem devem saber. Eu não estava em um bom lugar no fim da era Purple.

Você sabe se os outros membros do DP aprovam o fato de que você planejou uma tour com um repertório baseado no catálogo da banda?
Glenn Hughes — Não tenho ideia. David (Coverdale) fez isso com o Whitesnake, Ritchie (Blackmore) está tocando sons do DP com o Rainbow. Então, por que eu não poderia?

Qual é o sentimento ao tocar essas faixas antigas agora, para uma plateia em que muitos nem eram nascidos no tempo em que as músicas foram compostas?
Glenn Hughes —
Sou agradecido por trazer esses sons de volta à vida. É muito importante para mim causar impacto em quem ouve essas composições. É incrível que elas tenham passado no teste do tempo, mas grandes músicas são atemporais. Amo ver a reação dos fãs mais novos. Eu quero mostrar isso para todos os admiradores de rock pelo planeta. É tempo de queimar (uma alusão ao disco Burn, de 1974)!

Em sua opinião, como pioneiro no estilo: para onde o rock está indo? O que acha que vai acontecer com o gênero? Pergunto porque a indústria da música mudou, e nomes clássicos como Motorhead, Black Sabbath e Led Zeppelin, entre outros, estão fora do jogo por diferentes razões.
Glenn Hughes —
Sim, tudo está mudando. Não consigo ver uma volta àquela fase de experimentação verdadeira, de inovação. Isso sem falar no tamanho dessas bandas. A indústria era muito maior. Não é crime reconhecer que era melhor no passado, e não é apenas nostalgia. Por isso que estou fazendo essa tour: para dar aos fãs o gostinho de como era nos gloriosos dias do rock setentista.

Como foi ter feito parte de doi gigantes do rock (Purple e Sabbath)?
Glenn Hughes —
Me sinto honrado, claro! Com o Sabbath foi período menor, mas qualquer envolvimento com um pioneiro como Tony Iommi é uma honra.

Falando nisso: muitos dizem que Sabbath, Zeppelin e Purple são a trinca sagrada do rock’n’roll. O que pensa sobre essa afirmação?
Glenn Hughes —
É uma boa analogia, é verdade. E essas bandas eram todas diferentes entre si. Zeppelin tinha o lado acústico, Sabbath o peso sombrio e Purple a improvisação. Três bandas que mudaram a música e influenciaram muitos músicos. Me sinto orgulhoso do papel que tive nisso tudo.

E sobre sua voz: você é chamado de ‘a voz do rock’, e continua cantando com muito entusiasmo e qualidade (vide o show mais recente em Porto Alegre, em 2015). Há algum cuidado especial ou coisa do tipo que costuma fazer para manter a saúde vocal?
Glenn Hughes —
Eu nunca fumei, o que me ajudou a manter a voz. Mas é um presente divino poder cantar. Eu descanso minha voz, cuido bem dela e não fico achando que foi um dom que veio de graça. É natural, então sou muito sortudo de ter mantido minha voz e o alcance dela por todos esses anos.


E sobre seus outros projetos (carreira solo, Black Country Communion, California Breed..). Há ou haverá novidades sobre essas bandas em breve?
Glenn Hughes —
Devem rolar novidades em breve sobre meus planos para o próximo ano. Tenho alguns projetos possíveis, mas com relação às turnês vou me dedicar à ‘ Performs Classic Deep Purple Live’ por um tempo. Talvez role um disco do BBC, e quem sabe uma nova empreitada musical também.

Por Homero Pivotto Jr.

Reinventando clássicos com requinte — Entrevista Paavo Lötjönen (Apocalyptica)

É muito comum jovens que gostam de música usarem suas influências de maneira a criar algo novo. É um anseio criativo pegar referências vindas dos ídolos e adaptá-las à realidade que se vive para buscar um som diferenciado. Com os finlandeses do Apocalyptica não foi diferente. Quando a banda surgiu em 1993, na capital Helsinki, a ideia dos estudantes de música que iniciaram a banda era trazer a paixão que tinham pelo rock e pelo metal para o universo daquilo que estudavam, que tinha um viés mais erudito. Então, surgiu a ideia de recriar arranjos de clássicos feitos com baixo, bateria e guitarra para violoncelo. E a iniciativa, que começou despretensiosa, foi ganhando fama e respeito.

Em 21 de novembro, às 21h, no Opinião (José do Patrocínio, 834), o conjunto mostra ao vivo em Porto Alegre as releituras pelas quais ganhou notoriedade, com destaque para versões do Metallica. Afinal, o Apocalyptica se apropriou — com propriedade — de composições desse ícone do thrash de arena para montar o disco de estreia,  Plays Metallica by Four Cellos (1996).

A turnê atual celebra, justamente, as duas décadas do referido álbum. Aproveitamos a oportunidade para conversar com Paavo Lötjönen, um dos integrantes originais do grupo europeu que se apresenta pela primeira vez na capital gaúcha.

Como surgiu a ideia de reinterpretar temas do heavy metal por meio de instrumentos clássicos, como o cello? E por que começar com um disco dedicado ao Metallica?

Paavo Lötjönen — O Apocalyptica começou muito espontaneamente. Mesmo antes de tocarmos o conjunto de cellos, tipo seis cellos tocando Jimi Hendrix e coisas assim, a gente sabia que uma banda com esse instrumento ficaria bacana para o rock’n’roll. Então, Eicca teve a ideia de fazer arranjos para sons heavy metal. A primeira vez que fizemos isso foi com um som do Sepultura, um do Metallica e um do Slayer, acho. Foi em uma orquestra de acampamento de música que participamos no verão. Nos apresentamos durante uma tarde e foi muito divertido. Nossos amigos curtiram, e nós também. Foi muito legal tocar juntos essas canções não convencionais. E também tem o fato de sermos grandes fãs de rock e de metal. Eicca tocou bateria antes do Apocalyptica, e eu baixo durante a época da escola. Nada sério. Toda nossa vida ouvimos diferentes tipos de música, não apenas erudita. Logo, não somos essas personalidades clássicas, como estudantes de música poderiam ser. Foi muito espontâneo e para nossa própria diversão. Não tínhamos nenhum plano de engatar uma carreira, nem mesmo de ser uma banda. Éramos só um bando de amigos tocando juntos e curtindo. Durante um período tocamos pouco, aqui e ali. Mas, repentinamente, recebemos a oferta para uma noite heavy metal em um espaço de shows público. Havia um cara de gravadora independente nesse evento que adorou nossa performance e veio falar conosco, dizer que tínhamos de gravar um álbum. A gente pensou que ele era louco. Se passaram alguns dias e nos demos conta de que poderia ser um projeto interessante. E se o cara da gravadora pagasse os custos, por que não tentar?

Bom, voltando à sua pergunta sobre a escolha do Metallica… No começo, executávamos também temas do Pantera e do Slayer, mas queríamos ter um conceito claro para o disco. E o resultado foi Apocalytica Plays Metallica by Four Cellos. É isso que iremos tocar para o público no Brasil. É a turnê de 20 anos desse trabalho

Em sua opinião, quais as semelhanças entre heavy metal e música clássica:

Paavo Lötjönen — Eu diria que não tem muito a ver com a parte musical. É mais uma questão de comportamento. Música clássica, algumas vezes, é pensada para ser bombástica e intensa. O metal é parecido: um pouco bombástico, massivo e forte. Mas não é tão simples.

Quando e como perceberam que unir metal e música clássica funcionaria bem?

Paavo Lötjönen — É um lance de temperamento. Nós amamos o metal e éramos jovens loucos o suficiente de pensar: “por que não combinar isso com música clássica?”. Simplesmente funcionou

Como é o processo de, digamos, traduzir um som mais pesado para cellos e quais os elementos que fazem a banda escolher determinada composição para recriar?

Paavo Lötjönen — Escolhemos temas dos quais gostamos e que, de alguma maneira, sejam tecnicamente possíveis de tocarmos. Geralmente são faixas não tão rápidas, nem muito baseadas em baixo ou bateria. Os melhores sons, para nós, são os que têm um pouco mais de melodia. Por exemplo: ‘One’, ‘Sanitarium’, ‘Nothing Else Matters’ e materiais nessa linha são fantásticos para serem executados por cellos. Isso porque, mesmo o cello podendo ser tocado ritmicamente, é um instrumento bem melódico. Basicamente, não pensamos em executar tal música de maneira clássica. Gostamos de pensar que fazemos de um jeito metal com cellos, algo não muito comum no rock ou no metal. Aquele tipo de coisa: não tente isso em casa! (risos) Nós somos loucos e estúpidos a ponto de continuar fazendo dessa maneira. Algumas vezes você tem de fazer as coisas sem medo para encontrar o pote de ouro. Acredito que conseguimos realizar isso com sucesso, de alguma maneira — mesmo que seja sempre uma batalha

Sabem o que artistas interpretados pelo Apocalyptica pensam das versões feitas por vocês?

Paavo Lötjönen — Ao menos o Metallica… tocamos algumas vezes com eles. E creio que isso prova algo. Quando eles fizeram o disco com a sinfônica de São Francisco, nos convidaram para as gravações e a noite de estreia, e falaram que nosso trabalho mostrou que era possível fazer o lance com a orquestra. Eles também nos convidaram para tocar na festa de 30 anos da banda, o que foi uma honra!

Para você, qual foi a versão mais tocante que o Apolyptica já fez e por quê?

Paavo Lötjönen — Todos na banda temos opiniões diferentes sobre nossas faixas favoritas. Somos indivíduos em uma banda. Mas as minhas releituras preferida são ‘Nothing Else Matters’, ‘Sanitarium’ e ‘Fight Fire with Fire’. Há forças opostas nessas faixas.‘Nothing Else Matters’ tem uma melodia muito bonita que a faz soar bem com os cellos. É uma música harmônica e as linhas melódicas ficam ótimas. ‘Sanitarium’ tem boa estrutura, funciona bem, é pesada e rápida. E mesmo assim é bastante melódica e bonita. As composições mais melódicas funcionam bem para cello. É de onde vem a beleza desse instrumento. Por outro lado, ‘Fight Fire with Fire’ é extremamente rápida e técnica. E isso só comprova que podemos criar coisas loucas e velozes. Algo que o pessoal da música clássica nem acreditaria.

A atual turnê celebra o lançamento do Plays Metallica by Four Cello, lançado em 1996. Como tem sido reviver esse primeiro trabalho? Quais memórias vêm à tona?

Paavo Lötjönen — Em nossos shows temos duas partes. Na primeira, executamos só o primeiro disco, do começo ao último som, somente com os quatro cellos. Bem como ele foi gravado. A música traz diferentes tipos de sensações e lembranças. Mas também é como um máquina do tempo. Se você ouvir sons que escutava quando criança, isso de alguma maneira recupera sentimentos profundos e pensamentos de como era ouvi-los em determinada época. É uma cápsula do tempo que retoma devaneios do passado. Agora, estamos passando pela Europa e América do Norte e as pessoas falam de como aquilo puxa lembranças e sentimentos de quando eram jovens. É algo fantástico, pois música boa desperta sentimentos e emoções. Espero que as pessoas estejam em uma boa vibe quando forem nos ver ao vivo no Brasil. Para mim, essa gira remexe naquele sentimento que tínhamos quando começamos a fazer turnês como uma banda pequena. Isso me faz mais jovem por um tempo.

Você imaginava, quando tudo começou, que o Apocalyptica seria uma banda de verdade, e não apenas um projeto?

Paavo Lötjönen — Como comentei, a gente não tinha nenhum plano. Tudo rolou passo a passo. Foi uma fantástica e positiva surpresa o que aconteceu durante nossa carreira. Nunca tivemos um plano, e até hoje não o temos. Realizamos as coisas aos poucos e trabalhamos duro para fazer acontecer — sempre ouvindo nossos corações e atentos ao que sentimos. E isso ainda nos faz sentir bem e nos levou à plateias cada vez maiores. Ver os olhos das pessoas vivendo a música com a gente faz aflorar o sentimento de que tocar é um trabalho fantástico a se fazer.

Por Homero Pivotto Jr.

Nota Restituição SOJA

* RESTITUIÇÃO DA DIFERENÇA NO VALOR DOS INGRESSOS PARA O SHOW DO SOJA *

Em razão da troca de local para o show do SOJA, e atendendo aos pedidos do público em relação à essa mudança,
a Abstratti vai disponibilizar a RESTITUIÇÃO DA DIFERENÇA NO VALORES dos ingressos aos compradores de Pista Premium (setor que se torna pista) e quem comprou Mezanino terá uma área exclusiva no Mezanino (2º andar) do Opinião.
Como será a restituição da diferença de valores da Pista Premium:

Compra através de cartão de crédito: O reembolso da diferença será automática nos próximos 7 dias úteis via crédito no próprio cartão, para os pedidos já alterados, será necessário nomear os ingressos novamente.
Compra via boleto: O reembolso será via depósito, e será necessário informar através da Central de Atendimento da Blueticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra e será gerado um novo ingresso.

Compra via pontos de vendas físicos: O reembolso da diferença será realizada na bilheteria local no dia do evento a partir das 17hs.
As informações são referentes aos preços de Pista Premium quando o evento ainda estava agenda do Pepsi on Stage e a quanto os compradores têm direito a receber de volta.

PREMIUM
1º lote
– inteira R$280: restituição R$40,00
– promocional R$145: restituição R$20,00
– meia entrada R$140 – restituição R$20,00
2º lote
– inteira R$320: restituição R$80,00
– promocional R$165: restituição R$40,00
– meia entrada R$160: restituição R$40,00

MEZANINO
Tem direito à área EXCLUSIVA no mezanino (2º andar) do Opinião.

***Se o cliente optar pela devolução do dinheiro em caso de desistência do show, o procedimento será feito nos mesmos locais onde a compra foi realizada antecipadamente. Para as demais compras, o passo a passo será:

Site Blueticket: 

O cliente deverá entrar em contato com a Central de Atendimento através do link www.blueticket.com.br/?secao=Contato e solicitar o cancelamento do ingresso.

– Cartão de crédito: o reembolso do valor será realizado automaticamente pela operadora do cartão.

– Boleto bancário: para o reembolso via depósito, será necessário informar, também através do Fale Conosco da
Blueticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra para o recebimento do valor.

[Show será no Opinião] SOJA em Porto Alegre

A apresentação do SOJA em Porto Alegre nesta quarta-feira (08/11) tem novo local: o Opinião (José do Patrocínio, 834). O show, que seria no Pepsi On Stage, continua marcado para começar às 21h com abertura da banda gaúcha Paradise Sessions às 20h. Ingressos já adquiridos não necessitam de troca e quem comprou Pista Premium terá direito à duas Cervejas Eisenbahn. Clientes que adquiriram tickets de mezanino tem espaço reservado no mezanino do Opinião, desde que chegando até as 20h.

Ainda há ingressos disponíveis (valores e informações no serviço abaixo).

::: SOJA :::

Local
Opinião (José do Patrocínio, 834)

Classificação etária:
14 anos

Quando
Quarta, 8 de novembro, às 21h

Cronograma
19h — abertura da casa
20h — Paradise Sessions
21h —  SOJA

Ingressos
Antecipados
Promocional —  R$ 125,00*
Meia — R$ 120,00**

Na hora
Promocional —  R$ 145,00*
Meia — R$ 140,00**

* Promocional: valor reduzido, por promoção, mediante doação de 1kg de alimento não-perecível (entrega somente na entrada do espetáculo)

** Meia-entrada: 50% de desconto para estudantes, idosos e PNE. Para o benefício da meia-entrada é necessário apresentar comprovação no dia do evento, ao acessar o local do show. Os documentos aceitos como válidos estão determinados no artigo 4º da Lei Estadual 14.612/14.

*** Quem optar pela devolução do dinheiro, o procedimento será feito nos mesmos pontos de venda em que as entradas foram adquiridas antecipadamente. Para as demais compras, o passo a passo será:

Cartão de crédito: o reembolso do valor vai ser realizado automaticamente pela operadora do cartão, caso solicitado via Central de Atendimento da Blue Ticket, pela página www.blueticket.com.br.

Boleto bancário: para o reembolso via depósito, será necessário informar, também através da Central de Atendimento da Blue Ticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra para o recebimento do valor.

PONTOS DE VENDA:
Online
www.blueticket.com.br (em até 6x no cartão)

Lojas (somente em dinheiro)

Sem taxa de conveniência:
Youcom – Bourbon Wallig, 3º piso. Fone: (51) 3206-5490.

Com taxa de conveniência (R$ 5,00):
Multisom — Rua dos Andradas, 1001. Fone: (51) 3931-5381.
Multisom — São Leopoldo Shopping Bourbon. Fone: (51) 3952-1310.
Youcom – Bourbon Ipiranga, 1º piso. Fone: (51) 3206-5492.
Youcom — Shopping Total. Fone: (51) 3206-5452.
Youcom – Shopping Praia de Belas, 3º piso. Fone: (51) 3206-5530.
Youcom – Shopping Iguatemi, 2º piso. Fone: (51) 3206-5820.
Youcom – Barra Shopping, térreo. Fone: (51) 3206-5423.
Youcom – Novo Hamburgo (Av. Nações Unidas, 2001, segundo piso), lojas 2086/2090 | Bairro Rio Branco. Fone: (51) 3206-5540.
Youcom – Shopping Canoas. Fone (51) 3206-5435.
Youcom — Bourbon Shopping São Leopoldo (Rua Primeiro De Março, 821, bairro Centro).

* A organização do evento não se responsabiliza por ingressos comprados fora do site e pontos de venda oficiais.

** Será expressamente proibida a entrada de câmeras fotográficas profissionais e semiprofissionais, bem como filmadoras de qualquer tipo.

Poesia, reflexão e boas vibrações — Entrevista com Jacob Hemphill (vocalista SOJA)

Há bandas que se propõem a fazer de suas composições mais do que apenas bons sons. Os estadunidenses do SOJA são parte dessa categoria. Com uma musicalidade baseada no reggae, mas que carrega referências de dub, ska, hardcore e até pop, o grupo busca gerar uma reflexão no ouvinte. Fazer com que cada um olhe para dentro de si e pergunte o que está fazendo com a própria vida na busca pela felicidade.

Sucesso no Brasil, o octeto volta ao país para, mais uma vez, protagonizar suas tradicionais apresentações intensas. Em Porto Alegre, o show ocorre em 8 de novembro, no Pepsi on Stage (Av. Severo Dullius, 1995), às 21h.

O vocalista e compositor Jacob Hemphill concedeu uma entrevista exclusiva à Abstratti Produtora. O poder da música, a trajetória do grupo que ajudou a fundar e o disco novo estão na pauta. Confira!

O SOJA tem uma ligação bem próxima com os fãs brasileiros (a banda já veio diversas vezes para cá e as apresentações costumam ser lotadas, por exemplo). Por que você acredita que nosso país abraçou a música da banda tão forte?

Jacob Hemphill — Não tenho bem certeza, mas é algo muito bom que eu não consigo entender completamente. Se eu pensar que sei as razões pelas quais cada pessoa abraça nossa música, isso talvez influencie em como faço as composições no futuro. Durante o tempo em que estamos na ativa, continuamos fazendo músicas que nós, como banda, acreditamos. E se essas faixas ecoam entre nossos fãs, independentemente de onde eles sejam, provavelmente estamos fazendo algo certo.

O reggae é, certamente, a base do som do SOJA. Porém, a banda aposta também em elementos de outros estilos, como hardcore, rap e ska. Como vocês moldaram a própria sonoridade?

Jacob Hemphill — Apenas tentamos, coletivamente, criar temas que curtimos tocar e que se encaixam com a temática das letras. Não queremos conscientemente, fazer algo soar reggae ou especificamente incorporar qualquer outro estilo de música. Somo oito músicos, então, naturalmente, cada som tem suas próprias características.

Falando nisso: qual é background musical da banda? Quem são seus heróis na música?

Jacob Hemphill — Eu ouço muito Paul Simon, Sade e Bob Marley desde moleque. E sigo ouvindo esses artistas. Esses que citei são apenas alguns. Eu vejo algo de heroico em cada músico que escuto ou sou sortudo o suficiente de encontrar pessoalmente. Há uma incrível bravura sobre criar uma obra e disponibilizar isso para o mundo com o seu nome.

Algo que chama a atenção na musicalidade do SOJA é que existe um apelo pop bem aplicado. E isso é muito interessante! Ajuda a espalhar a palavra mundo afora para cada vez mais pessoas. Essa é uma característica proposital ou algo que rola naturalmente?

Jacob Hemphill — Não fazemos nada soar conscientemente de uma forma ou de outra, tampouco tentamos criar músicas de maior apelo entre as massas. Fazemos a música que desejamos e, se as pessoas se identificam, ótimo!

O SOJA tem uma preocupação com a mensagem que é passada nas composições, sempre tentando fazer com que os ouvintes sintam-se um pouco melhor com suas posições neste mundo tão injusto. Como e quando isso passou a ser tão importante em seu trabalho?

Jacob Hemphill — Alguns anos atrás meu pai disse: “agora, você tem um microfone e existem pessoas que estão ouvindo. É possível fazer o que quiser com isso. Mas, no fim das contas, creio que você deva deixar algo que faça o mundo ter orgulho do que foi realizado usando esse microfone”.

Você percebe que as pessoas prestam atenção às letras, conectando-se umas com as outras ou tentando ser um pouco melhores?

Jacob Hemphill — Fãs escrevem para mim falando sobre como uma letra em particular os impactou. Essas são minhas histórias preferidas de ouvir, pois a experiência de cada um é diferente.

O SOJA iniciou as atividades ainda na escola, certo? Como surgiu a ideia de montar uma banda e como vocês mantêm praticamente a mesma formação até hoje?

Jacob Hemphill — É porque começamos como amigos e continuamos assim. Seguimos nos divertindo e dividindo nosso tempo juntos. Estamos envolvidos uns na vida dos outros fora do SOJA. Somos irmãos antes de sermos colegas de banda.

Conte-nos um pouco sobre o novo álbum Poetry In Motion e sua teática. Como esse disco difere do anterior Amid the Noise and Haste?

Jacob Hemphill — Amid The Noise and Haste era sobre pessoas tentando encontrar uma direção nesse mundo. Poetry In Motion é sobre observar e apreciar toda a beleza que nos rodeia. Amid The Noise and Haste foi um trabalho muito colaborativo, que inclui diversas participações especiais. Já Poetry In Motion é apenas o SOJA junto no estúdio fazendo música como bons irmãos.

Por Homero Pivotto Jr.

O poder mágico do reencontro — entrevista Michael Kiske (vocalista do Helloween)

Ouvir um bom som pesado é algo mágico. Quem aprecia heavy metal e suas vertentes sabe que é possível ficar enfeitiçado pela música. Mas há ocasiões em que o universo conspira a favor e o encantamento materializa-se no mundo real. Um bom exemplo é a chance de conferir o Helloween no dia Halloween. Essa oportunidade única ocorre em Porto Alegre, dia 31 de outubro, no Pepsi on Stage, quando a banda alemã passa pela capital gaúcha com a aguardada turnê Pumpkin United Tour.

Não se trata apenas de mais uma gira do grupo que é referência para o speed/power metal desde os anos 1980. Esta é o união do clássico com o contemporâneo, o momento em que integrantes da formação original do conjunto encontram os da atual para apresentações de aproximadamente três horas de duração. A tour marca o (re)encontro de Michael Kiske (voz) e Kai Hansen (guitarra) após praticamente três décadas. Além deles, o espetáculo tem ainda Andi Deris (voz), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Daniel Löble (bateria) no palco.

Conversamos com Michael Kiske sobre como a reunião foi possível e o que esperar deste histórico acontecimento.

Michael Weikath disse em uma entrevista recente que a ideia para a turnê Pumpkins United World — que reúne integrantes de diferentes períodos — teria começado há uns 20 anos, e partiu do vocalista Kai Hansen. Por que levou tanto tempo para isso realmente ocorrer?

Michael Kiske — Kai esteve falando sobre isso por um bom tempo. Não sei se duas décadas, vai saber? Todos precisávamos do nosso tempo, e agora é o momento certo. Talvez isso não tivesse funcionado antes. Abordei Michael Weikath em 2013, em um show, e conversamos bastante, deixando as diferenças de lado. E, agora, estamos prontos para Pumpkin United Tour.

E qual foi o ponto em que todos concordaram em fazer a tour? Por quê?

Michael Kiske — Basicamente, depois Michael e eu conversamos foi quando tudo ficou mais claro. Todos os membros foram acionados, as questões administrativas foram acertadas e nós concordamos.

Poderia descrever a primeira vez que os envolvidos nesta empreitada se encontraram novamente? Foi em um ensaio?

Michael Kiske — Não, nos encontramos antes e foi ótimo. Sem ressentimentos, apenas curtimos estar juntos.

Falando sobre isso… como foi o primeiro ensaio para a Pumpkin United Tour? A banda realmente tocou ou simplesmente aproveitou o reencontro como bons velhos amigos?

Michael Kiske — Ensaio é trabalho, não curtição. Todos fizeram suas lições antes, mas precisávamos nos acertar em equipe, já que não tocamos juntos antes com essa configuração. Foi trabalhoso, mas uma excelente experiência e um desafio.

Como está clima entre a banda para rodar o mundo?

Michael Kiske — Excelente! Os ensaios estão bons e nós emocionados.

Com tantos álbuns na discografia, como escolher o setlist os shows?

Michael Kiske — É bem complicado. Todos nós trabalhamos nisso para preparar um repertório que os fãs irão adorar. Músicas velhas e novas, duetos, performances de diferentes vocais, solos de guitarra… teremos de tudo!

É verdade que as apresentações têm cerca de três horas de duração? É um tempo considerável para se estar no palco. Como manter a energia e a química para essas performances intensas?

Michael Kiske — Sim, será um longo show. Pelo menos 2h30min/3h de espetáculo. Não será um problema, todos na banda estão preparados e sabem o que fazer. Creio que será divertido!

Kai Hansen deve cantar alguma faixa clássica do passado ou os vocais devem ser feitos apenas por você e Deris?

Michael Kiske — Não, apenas eu e Andi dividiremos o microfone.

Os integrantes do Helloween têm comentado em entrevistas sobre uma nova faixa reunindo a formação da Pumpkin United Tour. A música está pronta? Quando os fãs poderão curtir esse registro?

Michael Kiske — Está pronta e será lançada logo que a turnê iniciar (durante o mês de outubro).

Todos os músicas envolvidos na tour gravaram a composição?

Michael Kiske — Sim!

Como você vê o cenário heavy metal atual e por que acredita que o Helloween continua relevante para o gênero?

Michael Kiske — Acho que o Helloween ainda se destaca porque amamos o que fazemos e isso nos faz sentir bem. A cena metal continua viva e há algumas boas bandas, mas quem é que sabe se a carreira desses novos artistas irá durar? Neste momento, as pessoas tendem a dar mais atenção à bandas velhas, o que faz com que não seja fácil para nomes ainda não estabelecidos conquistarem seu espaço.

Por Homero Pivotto Jr.

Sem melancolia com o Millencolin — entrevista Fredrik Larzon (baterista)

O frio intenso em partes do ano, às vezes acompanhado da neve, cria um cenário bucólico na Suécia que, segundo moradores do país, é um dos fatores que contribui para que tantas bandas sejam formadas por lá. Afinal, reunir os amigos e mandar um som em alguma garagem e/ou estúdio aquece os corações e ajuda a passar o tempo. Mas há bandas da nação escandinava que conseguem criar um clima ensolarado em suas composições independentemente da estação do ano. É o caso do Millencolin, que buscou referências, principalmente, no punk rock melódico da Califórnia (EUA) para criar músicas apropriadas para uma session de surf ou skate.

Surgido nos anos 1990, o grupo despontou — ao menos no Brasil — na mesma década, quando nomes como Bad Religion, Pennywise e NOFX ganharam popularidade em solo nacional. Pegando influência desses artistas, mas criando uma identidade própria, o Millencolin conquistou seu espaço entre o público fã de punk rock/HC menos truncado.

Em 2017, o quarteto retorna ao Brasil para mostrar serviço em cena, comprovando que, além dos esportes radicais, é excelente trilha para moshpits e rodas de pogo. Em Porto Alegre, a apresentação rola domingo,8 de outubro, às 21h, no Opinião (José do Patrocínio, 834).

O baterista Fredrik Larzon respondeu alguma perguntas exclusivas para a Abstratti Produtora via e-mail, diretamente de sua terra natal. Entre os temas, o porquê de a Suécia ser tão prolífica na cena roqueira mundial, radicalismos e história do Millencolin.

Como fã de rock sueco, preciso começar esta entrevista perguntando: tem algo na água do seu país (risos)? Porque há muitas bandas legais de diferentes vertentes. Podemos citar Millencolin, Entombed A.D, Dismember, At The Gates, In Flames, Hellacopters, Anti-Cimex, Wolfbrigade, Disfear, Dissection, Nasum, Refused, The Hives, Grave, Masshysteri, Unleashed, Kvoteringen (que tem você como baterista), Genocide Superstars, Graveyard, No Fun At All, Håkan Hellström, Invsn… e até ABBA e Europe. Qual sua opinião sobre o fato de existirem tantos artistas bacanas na Suécia?

Fredrik Larzon — Valeu! Legal saber que você curte nossa música — e as bandas citadas são realmente sensacionais!
Não é fácil dar a você uma razão. Alguns dizem que nos anos 1980 e 1990 o Estado apoiava associações internacionais economicamente e isso resultou em um monte de grupos musicais e artistas solos. Outro acreditam ser o clima, ironicamente. Para nós, como conjunto, nos ajudou muito ter um lugar para ir e alugar equipamento e gravar demos em um estúdio por uma pequena taxa anual. Isso nos inspirou e nos deu liberdade para promover shows e coisas do tipo. Quanto mais ensaiávamos, mais tempo de graça no estúdio a gente conseguia. Muitas das bandas daqui, incluindo o Millencolin, se inspiraram nos Estados Unidos ou na Inglaterra para criar algo diferente. Era trabalho duro e dedicação.
Ao mesmo tempo, temos todos os tipos de música, TV e filmes por aqui que não são dublados de seus idiomas originais. Além disso, aprendemos inglês desde muito cedo nas escolas, bem como outros idiomas. E isso facilita as coisas para quem busca encontrar público fora da Suécia. Claro que a maioria das produções na mídia vinham dos EUA e da Inglaterra.

Outra questão interessante é bandas de estilos distintos parecerem parceiras e curtir diferentes tipos de som. Isso é maravilhoso e comum hoje em dia, mas, no passado, não era tão normal. As pessoas achavam estranho, por exemplo, pegar um encarte de banda death metal agradecendo outra de hardcore melódico (no encarte do álbum Clandestine, do Entombed, o quarteto death metal saúda o Bad Religion, por exemplo). Como é isso com vocês?

Fredrik Larzon — Eu concordo, pelo menos em relação a certo período. Claro que há muita divisão por gênero aqui, mas eu não senti isso por um longo tempo. Porém, nunca sentimos a necessidade de fazer parte de uma cena específica.
A Suécia é um país muito pequeno, e penso que, cedo ou tarde, você vai topar com outros artistas, independentemente do tipo de som que faz. Isso faz a gente descobrir que somos apenas pessoas compartilhando nosso amor pela música. São apenas tipos ou graus de extremos diferentes. É música: se você gosta, curta! Se não, apenas não ouça. É uma questão de mostrar respeito, além de ser uma boa maneira de buscar inspiração quando não se fica restrito a um estilo.

O Millencolin começou nos anos 1990. Como era a cena punk com a qual vocês tinham contato?

Fredrik Larzon — Quando começamos a banda, havia poucas bandas fazendo algo similar (No Fun At All, Superdong/Skumback, Randy, Satanic Surfers etc). Creio que fomos pegos pelo punk/hc estadunidense, especialmente o do sul da Califórnia. O skate também foi crucial! Sem skate, provavelmente não haveria Millencolin. Os outros três caras (Nikola Sarcevic — baixo e voz, Mathias Färm — guitarra e Erik Ohlsson — guitarra) andam de skate desde adolescentes e ficavam praticando no carrinho sempre que não estávamos ensaiando. Ouvimos um monte de música que nos inspirou nos vídeos de skate e decidimos começar uma banda no estilo desses artistas. A gente também tocava em outras bandas. Não demorou muito para abandonarmos os outros projetos musicais e focarmos no Millencolin. A cena era boa: muitos shows, muita gente nas gigs. A gente fazia eventos e convidava outras bandas e vice-versa. Trocávamos demo, fazíamos fanzine e coisas assim.

O Millenconlin tem uma referência forte do punk estadunidense, mais do que do europeu. Ao menos no Brasil, a banda passou a receber mais atenção quando nomes como Green Day, Rancid, Bad Religion, Pennywise e até Offspring começaram a fazer sucesso em nosso país. Vocês se sentem parte desta onda do punk rock noventista?

Fredrik Larzon — Sim! Ouvíamos muito o que saía pela Epitah e pela Fat Wreck. Fomos muito influenciados por Bad Religion, Descendents, Operation Ivy, Pennywise, NOFX e outros. Fizemos alguns shows no começo da carreira com Bad Religion e Offspring aqui na Suécia. Também rolou um tour na Europa com o Pennywise. Ao assinarmos com a Epitath, isso ficou mais evidente. Definitivamente, nos sentimos parte deste movimento!

Quais bandas foram como heróis para vocês e quais elementos do hardcore estadunidense chamaram sua atenção?

Fredrik Larzon — As bandas que mencionei anteriormente, junto com Circle Jerks, Misfits, Agent Orange, Quicksand e Samiam foram algumas das que nos influenciaram. Também tivemos referências de artistas suecos e de outros estilos. Sempre tentamos manter a mente aberta para sempre estarmos inspirados.

Como a Epitath descobriu o Millencolin. O quão importante foi ter essa oportunidade de mostrar sua música para o público ‘certo’ — não que a Europa fosse o alvo errado, mas o som de vocês parece ter mais apelo na América?

Fredrik Larzon — Começamos a trabalhar com a Burning Heart Records, da Suécia, depois das nossas demos. Como eles lançavam artistas similares, porém suecos, para a Epitah, as duas gravadoras começaram a fazer parcerias. Porém, assinamos ainda antes disso com a Epitaph. Lembro do Fletcher (Pennywise) falando para o Brett (dono da Epitaph e integrante do Bad Religion) no meio de uma bebedeira para ele assinar com a gente. Hahaha
Em 1995, isso aconteceu e o Life On A Plate saiu nos EUA logo depois de termos feito uma Vans Warped Tour por lá. Foi algo grandioso para nós, com certeza. Desde então, trabalhamos juntos (Millencolin e Epitaph)!

Como vocês lidam com a questão de fazer sons só por diversão e outros mais sérios, como uma ‘real banda punk (brincadeirinha!)?

Fredrik Larzon — Nikola escreve boa parte das letras, mas entendo o que você está falando. Sempre quisemos fazer punk melódico com sons sobre o cotidiano, descrevendo situações alegres e problemas sérios.

Tem sido assim desde sempre, mas é cada vez mais importante para a gente com o passar dos anos lidar com algumas questões. Como as mudanças no mundo e o jeito que as pessoas tratam umas às outras, por exemplo. Às vezes é preciso ficar atento às entrelinhas para entender o significado das nossas músicas. Creio que Nikola é um excelente compositor!

O disco mais recente True Brew é um bom exemplo: há temas positivos, mas também músicas mais críticas, como ‘Sense & Sensibility’. Essa faixa fala sobre as merdas feitas por racistas e nacionalistas idiotas. Como está esse lance na Suécia e o que você pensa de episódios recentes envolvendo essas questões, como em Charlottesville?

Fredrik Larzon — É muito ruim! O racismo está crescendo por toda a Europa e é assustador e fudidamente nojento!

Como merdas assim impactam sua arte e até suas vidas pessoais?

Fredrik Larzon – Temos o poder de dizer o que sentimos sobre isso e parece mais importante do que nunca nos mostrarmos contra isso.

E sobre disco novo, há algo nesse sentido?

Fredrik Larzon — Sim! Temos ideias para sons e tal, mas antes queremos nos concentrar na turnê pela América do Sul e os shows na Suécia que virão em seguida. Estamos muito felizes sobre essa gira e ansiosos para tocar no Brasil! Obrigado pelas perguntas! Nos vemos nos shows!

Por Homero Pivotto Jr.

Mr. Big

Na medida para quem aprecia boa música — ENTREVISTA ERIC MARTIN (Mr. Big)

Grandes artistas não deixam que seus egos fiquem maiores que o talento pelos quais são conhecidos. E fazem esforço para manter a estatura em tempos nos quais atividades culturais são cada vez mais diminuídas. Eric Martin, o vocalista do Mr. Big, é um bom exemplo. Viu a popularidade de sua banda crescer rapidamente nos anos 1990 para, alguns anos depois, perder espaço nas paradas de sucesso. Mas, com perseverança e a maior das boas-vontades — sem falar na qualidade de seu trabalho —, voltou a figurar entre os gigantes do rock. Se não em vendagens, ao menos em qualidade. Em julho deste ano, o quarteto californiano lançou o nono disco da carreira, Defying Gravity. Além disso, segue protagonizando shows grandiosos por onde passa. Porto Alegre recebe novamente o conjunto em 22 de agosto, no Opinião. Conversamos com o vocalista Eric Martin sobre como manter a grandeza atualmente e o que é necessário para continuar um frontman acima da média no palco.

O Mr. Big fez shows memoráveis em Porto Alegre: no Opinião (2011) — para onde a banda retornará em 22 de agosto — e no Pepsi on Stage (2015), uma casa maior. Quais suas lembranças das apresentações por aqui? Prefere locais menores ou grandes casas de show?

Eric Martin — Amo os palcos pequenos como artista solo, quando toco acústico ou tenho poucos músicos comigo. A sensação de intimidade, de estar próximo, é meu tipo favorito de show. Mas com o Mr. Big tudo tem de ser grande. Temos uma parede de som bombástica que é melhor se houver espaço para detonar. Nossa banda soa melhor em locais maiores. Porém, dito isso, um dos meus discos ao vivo preferidos entre os que gravamos foi registrado no Hard Rock Café de Singapura. Devia ter umas 300 pessoas.

Vocês lançaram um novo disco em julho deste ano. Considerando o atual contexto da indústria musical, o Mr. Big poderia ser tão grande quanto foi no cenário dos anos 1990? Por quê?

Eric Martin — O clima no meio musical mudou há muito tempo e não demos bola. Tivemos altos e baixos, como qualquer um. Apenas fomos com o fluxo. Teria sido ótimo obter o mesmo sucesso que tivemos nos 90’s, mas a vida é o que é. Não estou lamentando. Eu apenas tento fazer os melhores discos que posso. Assim, vou para a estrada cantar e detonar com todos vocês.

Quais apontaria como as grandes mudanças na indústria fonográfica desde que o Mr. Big começou?

Eric Martin — As gravadoras de antigamente eram grandes e poderosas. Elas assinavam com qualquer um e dispensavam os que não tinham hits. Fomos mais sortudos que muitas outras bandas. Mas eles não observavam no contexto geral de se construir uma carreira. Depois de ‘To Be with You’ detonar, eles continuaram em busca de um novo sucesso como esse por alguns álbuns. Eu não era um compositor de hits, acho. Pensava que fazíamos excelentes músicas, mas não era o que a companhia desejava e, eventualmente, fomos dispensados. Hey, são negócios…ha! As gravadoras que cuidam dos nossos discos agora fazem o melhor que podem. A Frontiers, na Europa, tem nos apoiado em todo o caminho muito bem, e a WOWOW, no Japão, é como família para nós.

O Mr. Big está prestes a completar três décadas de carreira. Qual você considera a grande conquista que a banda fez durante esse tempo?

Eric Martin — Óbvio que ter o single número em 15 países foi além de qualquer expectativa. Fomos abençoados em viajar pelo mundo diversas vezes. Tivemos alguns contratempos e uma ou duas grandes rupturas, mas encontramos nosso caminho, nos reunimos e agora estamos maiores e melhores espiritualmente do que antes. Teve também uma ocasião especial em que fomos a atração principal de um festival na praia de Santos (SP), tocando para 100 mil pessoas. Ainda posso me ver andando na passarela entre o palco e o público, em noite de lua cheia, cantando ‘Addicted to the Rush’ e sentindo aquele calor da plateia. Que noite sensacional e que lembrança maravilhosa!

Todas as outras vezes que o grupo passou pelo Brasil protagonizou performances intensas. A banda está sempre em boa forma. Como manter esta grande paixão por tocar ao vivo?

Eric Martin — Amo o que faço! Eu vivo para o Mr. Big e os fãs de rock brasileiros fazem com eu enlouqueça!

Quais foram as grandes influências da banda no início e quais artistas fazem vocês vibrarem hoje em dia?

Eric Martin — Fomos todos influenciados por bandas dos anos 1970 quando iniciamos. Eu sou fã do Paul Rogers, vocalista do FREE/Bad Company, há décadas. Ele era e sempre será meu ídolo. Já vi o cara ao vivo algumas vezes e tive a chance de cantar o clássico “Alright Now” com ele. Vi a passagem de som dele uma vez e aquilo foi surpreendente. Ele é impecável, um imortal! Um nome novo que eu tenho escutado e curtido é John Mayer, um dos melhores guitarristas desde Eric Clapton. Suas músicas têm muito significado, como se fossem escritas pessoalmente para mim. Ele tem uma voz de veludo que me encanta. E parece como um filho da puta sarcástico que consegue te irritar, mas você continua o amando como um amigo. Não somos amigos… ainda!

O que você diria para convencer as pessoas a estarem com você no Opinião em 22 de agosto?

Eric Martin — Sinto o amor que vocês têm pelo rock e a paixão e a energia que produzem como audiência. O público do Brasil estabeleceu padrões altos para o rock’n’roll americano. Não podemos ser desleixados, até porque o Mr. Big não faria isso. Nossos shows tem de ser quase perfeitos. Precisamos estar sincronizados. Me incomoda quando leio algo como ‘ eles não foram tão bons quanto da última vez’. Tivemos apresentações monumentais no Brasil e estou me preparando para gastar cada pedaço da minha alma entretendo vocês. Vamos detonar!

Por Homero Pivotto Jr.